quarta-feira, 6 de abril de 2011

terça-feira, 29 de março de 2011

Selo CC

voz dos poucos e barulhentos ou: a emergência das redes culturais

O jornalista Leonardo Brant, do site Cultura e Mercado, escreveu um texto hoje em defesa da Ministra da Cultura Ana de Hollanda. Brant, que vem mantendo estreita colaboração com a coordenação do atual ministério, inclusive se prontificando recentemente em intermediar o diálogo dos gestores da pasta com os movimentos de cultura digital, afirma que a ação nas redes sociais e na imprensa contra as medidas tomadas por Ana de Hollanda é resultado de um esforço orquestrado por poucos e barulhentos atores que apoiavam a gestão Gilberto Gil e Juca Ferreira.
Não é verdade. Temos debatido as posições do Ministério de Ana de Hollanda, Vitor Ortiz e Antonio Grassi – a trinca de gestores que comanda a pasta – a partir dos fatos que eles mesmos geraram, das indicações eloqüentes que têm sido dadas. Não porque tenhamos quaisquer compromissos com este ou aquele grupo, mas porque somos favoráveis à continuidade das vitoriosas políticas culturais do governo Lula. Não por meio de uma central de boatos e falsos argumentos contra o Ministério, mas sim do debate público.
Portanto, é preciso dizer, a leitura de Brant não tem lastro na realidade e reduz uma ação legítima a um mero jogo subterrâneo de poder.
É sempre bom recuperar os fatos.
Como essa história começa?
Logo que foi anunciada Ministra da Cultura, em entrevista coletiva na sede do BNDES, Ana de Hollanda demonstrou interesse em debater a questão dos direitos autorais, utilizando-se de argumentos comuns aos opositores da proposta de revisão da lei brasileira de propriedade intelectual, que havia sido objeto de consulta pública em 2010.
Uma rede espontânea de ativistas e artistas então produziu uma carta aberta, publicada na plataforma CulturaDigital.br, propondo diálogo. Isso ainda em 2010. A carta jamais foi respondida por Ana ou sua equipe.
Com quinze dias à frente do Ministério da Cultura, a ministra ordenou a retirada da licença Creative Commons do site, mesmo com pessoas próximas e de sua confiança orientando-a a não fazer isso. Nesse momento, sua equipe de secretários nem sequer tinha sido nomeada, o que ocorreu um dia depois, em meio às críticas pela decisão política arbitrária – que Ana defendeu como uma mera escolha técnica.
A partir daí, uma série de fatos ligados à questão dos direitos autorais começou vir à tona, todos eles demonstrando uma inflexão favorável aos atores contrários à reforma.
É bom lembrar que o principal argumento utilizado pelo atual Ministério foi o de que houve pouco debate nos últimos anos. Não é verdade.Nunca se debateu tanto o tema. Até por isso, o grupo que agora irá dirigir o debate sobre direitos autorais estava sendo derrotado, por inconsistentes que são suas posições, mas conseguiu se articular para coordenar o processo.
A ação contra as decisões (e não contra a pessoa) de Ana de Hollanda visam a garantir a continuidade que se consagrou vitoriosa com Dilma Roussef.
Não se pode reduzir uma política baseada em princípios a um mero movimento de deslocamento de poder. O levante que está nas ruas é reflexo de escolhas e ações da atual administração. É uma reação ao processo de desmonte das conquistas do governo Lula no campo cultural, e não uma tentativa de preservação de espaço.
É uma articulação para que os Pontos de Cultura continuem a ser o centro das políticas. Para que a ideia dos pontos não seja substituída por uma visão elitista de construção de equipamentos culturais reponsáveis por “levar cultura” a quem não tem.
Outro aspecto que me força a escrever esse texto é a percepção de que a mesma arrogância que marcou algumas das decisões recentes do Ministério da Cultura surge na leitura que Brant faz de seus opositores.
Trata-se de um velho truque: a tentativa de desqualificar o interlocutor, questionando sua condição de agente político. Esse movimento denota má intenção ou desconhecimento (1) das dinâmicas sociais recentes do país e (2) da forma como a política se organiza no contexto das redes interconectadas.
Sobre o primeiro ponto, vale dizer que nos últimos anos o complexo país em que vivemos viu emergir uma série de movimentos e redes ligados ao campo político-cultural. Parte desse crescimento foi induzido pelo do-in antropológico promovido por Gilberto Gil e sua equipe.
Durante o governo Lula, os agentes da diversidade cultural foram reconhecidos e alçados à condição de protagonistas da cultura, o que ampliou o arco das políticas públicas de cultura de forma pioneira. Também é preciso dizer que o movimento de comunicação, cercado pela escolha deHélio Costa para dirigir a pasta, teve no MinC de Lula um importante aliado.
Esse movimento que espontaneamente age em rede tem em comum o fato de se beneficiar do avanço da rede mundial de computadores, filosoficamente e como instrumento de luta. Ou seja, a internet, ao permitir a livre circulação de bens culturais, (dês)organiza a economia tradicional da cultura, baseada no copyright, e redefine noções como centro-periferia, local-global, sucesso-fracasso. Também opera como fundamental instrumento de organização em rede, o que para as novas gerações aparece como alternativa estruturante de ação política – em face do ocaso dos partidos e das organizações tradicionais.
Somos muitos os reunidos nessa ação descentralizada pela continuidade das políticas de Gil e Lula: Partido da Cultura, Movimento Música para Baixar, Circuito Fora do Eixo, Festivais Independentes (Abrafin), Casas Associadas (circuito de casas de espetáculo), Pontos de Cultura,Movimento Cultura Digital, Campanha Banda Larga: um direito seu! Frente pela Reforma da Lei de Direitos Autorais, Movimento Mídia Livre,Blogueiros Progressistas, Mega Não (contra o PL Azeredo), Movimento Software Livre, entre tantos outros.
Esses organismos todos supracitados ainda não são os únicos agentes relevantes desse processo. Porque muito do que surgiu nos últimos dias é fruto do cidadão autônomo e consciente, sem organização ou militância definida, que vem fazendo valer o seu poder de mídia.
Estamos, pois bem, diante de um sistema complexo, composto por gente que agita ou produz cultura, que realiza, estuda e movimenta, dentro e fora das Universidades, dentro e fora das estruturas do mercado tradicional, dentro e fora dos partidos políticos (muita gente do Partido dos Trabalhadores tem participado dessa mobilização).
Um enxame, sem centro, sem lideres, que não começou com uma reunião nem irá terminar assim. É a própria dinâmica da vida em rede se expondo, e – por isso, só por isso – acaba por fazer barulho.
Sigamos, então, com o debate, mas sem tratar aliados históricos das causas da democratização da cultura e da comunicação, que ajudaram a construir o governo Lula e a vitória de Dilma, de forma desrespeitosa. Isto não é um convescote. São os rumos do país que estão em questão.

extraído de www.foradoeixo.org.br

sexta-feira, 11 de março de 2011

Indígena

Congresso Indígena debate a valorização da cultura

11 de março - 2011 - 08:58
A Prefeitura de Boa Vista realiza até esta sexta-feira (04) o II Congresso Municipal de Educação Indígena com o tema "Cultura, Respeito e Saberes". O encontro começou quarta-feira (02) e reúne professores, pedagogos e tuxauas de 11 comunidades indígenas da capital no auditório do Hotel Barrudada.
A proposta é qualificar e capacitar os docentes das comunidades sobre cultura e respeito aos saberes dos povos indígenas, valorizando e resgatando a identidade cultural. Para ajudar na discussão dos temas, o evento conta com palestras e exibição de documentários.
Conforme a coordenadora municipal de Educação Indígena, Cristiana Nunes, o, evento discute as reais necessidades de cada comunidade. “Os temas abordados refletem as expectativas dos protagonistas educacionais e sociais das comunidades indígenas, pois emanaram de suas sugestões”, conta.
Cerca de 70 pessoas das comunidades Vista Alegre, Campo Alegre, Ilha, Morcego, Lago Grande, Bom Jesus, Darora, Serra da Moça, Truaru da Cabeceira, Vista Nova e Milho participam do Congresso.
Entre os temas debatidos estão a diversidade lingüística característica dos povos indígenas e o trabalho para preservação das línguas, que é feito nas comunidades por meio da disciplina Língua Materna e da relação do indígena com a terra. Também será abordada a mudança na história dos povos indígenas a partir da constituição de 1988.
Para Mara Ramos, professora indígena da comunidade Morcego, os temas em discussão promovem um resgate cultural. “É a revitalização da cultura dos povos indígenas. Dessa forma, os professores passam para os alunos a importância do meio em que eles vivem e suas raízes culturais”, diz.
Nesta sexta-feira (4), será realizada a palestra "O Ensino de Línguas no contexto Escolar", com o professor Cristóvão Abrantes Justino, do Insikiran/UFRR e a palestra "Medidas de Segurança para Acidentes com Cobras Peçonhentas nas Comunidades Indígenas", com Patrícia Velho, do 7º Batalhão de Infantaria de Selva (7º BIS).
No período da tarde, será realizada a palestra "Oficina de Jogos Pedagógicos a partir da Realidade Indígena", com a professora Adine da Silva Ramos, do curso de Comunicação e Artes da Licenciatura Intercultural do Núcleo Insikiran. O encerramento será às 18h com a entrega de certificados aos participantes.
Língua Materna
As etnias wapixana e macuxi são predominantes nas comunidades indígenas de Boa Vista. Para valorizar e manter a cultura desses povos, a Prefeitura de Boa Vista desenvolve o programa Língua Materna.
O programa consiste em utilizar a língua indígena durante as aulas. Dessa forma, cerca de 130 alunos aprendem disciplinas como matemática, língua portuguesa, entre outras, utilizando a sua língua materna. O método é utilizado na educação infantil e Educação para Jovens e Adultos (Eja).
Educação Indígena – A rede municipal de ensino atende a 11 comunidades indígenas, totalizando 280 alunos na educação infantil, ensino fundamental e Eja.
A Prefeitura de Boa Vista iniciou o processo de licitação para a construção de mais três escolas nas comunidades: Serra da Moça, Vista Alegre e Lago Grande.


fonte: <http://www.jovensindigenas.org.br>